Meu adorável vagabundo
Chega como quem não quer nada, com uma cara de dar pena
Olhos de lince com um ar distraído, contente com a vida e bem humorado
Sorri, acena, brinca... Como se fosse um criança, ele conquista
Não dá pra notar a sua sutil e imperceptível maldade
Há quem possa jurar que nunca viu qualquer malícia; Por outro lado há quem acredite
mais em notas de três reais do que na sua própria figura.
Personagem vestido de amigo, companheiro de todas as horas, boemio de muitos amigos.
Lobo em pele de cordeiro ele vaga pelas madrugadas a dentro, com sua elegância
incontestável.
Como se nada o pudesse afetar ele enfrenta perigos, leis e qualquer coisa considerada
proibida; Para ele tudo é capaz de ser inimaginavelmente fácil.
É como se a sorte gostasse dele, e por um simples gostar ela resolvesse acompanha-lo
Não importa o que aconteça, nao importa o que digam, não importa mais nada; Ele é.
Resistir não é possível. Podem ignora-lo, pois nunca ele ligou para essas bobagens.
Se não sobra um copo de cerveja nesse bar, não importa, tenta no outro e por ai vai
Aceitável e inocente até que se prove o contrário. Desaventurada é aquela que se deixa
levar por seus agrados e desagrados; Aquela que quando menos espera está observando seus
traços de idade, deixando o sono de lado, perdendo a noção das horas enquanto tenta se
convencer de que não vai durar; Em vão.
Ele não dá tempo para pensar, quando você se dá conta, ele já veio, já passou, já marcou,
e só o que resta são horas em baixo do chuveiro pensando no seu retorno.
E ela espera, espera e espera; Pode esperar minha cara, ele não voltará Tao cedo.
Enfim ela dorme, para acordar na manha seguinte e como quem retorna ao mesmo sonho da
noite anterior, ela volta a pensar como e quando será o seu retorno.
Enquanto ela nega e sofre ao mesmo tempo, ele veste sua pele limpa e renovada,
e lá vai ele novamente, cego de prazer do seu próprio ego, cercado dele mesmo por todos
os lados.
"Todos os dias de manhã, vem a nostalgia das besteiras, e das besteiras, e das besteiras que fizemos ontem"
Maya Costa (domingo 22.05.2011)
terça-feira, 24 de maio de 2011
Nescafé
Enquanto olhares se cruzam em bares sujos nos becos de Londres, os olhos de Pedro se abrem para um velho novo dia; Enquanto corpos suados se entrelaçam no banco traseiro de um Camaro velho em alguma rua escura, um simples desenlace das mãos de Pedro e Monica ocorre em meio dos travesseiros; Enquanto o silêncio da madrugada é quebrado pelos carros barulhentos, buzinas atordoadas e despertadores atrasados, um silêncio quase que insuportável adentra o quarto mais forte do que os raios de sol que passam pelas frestas da janela; Enquanto o nascimento de uma nova vida é comemorado na Índia com muita festa, cor e alegria, na tumultuada cidade de São Paulo, dentro de um apartamento antigo abarrotado de lembranças, só se pode ouvir o barulho da cafeteira, o relógio de ponteiro doze minutos atrasados e o amor de Pedro e Monica que uma noite dessas saiu pela porta por onde entrou e nunca mais retornou.
Eram como completos estranhos que acordaram um dia por acaso do destino ao lado um do outro. A falta daquele amor que saiu pela porta os tornara completos desconhecidos. Vestiam-se calados. Meio que sem jeito ela abotoava o sutiã, quase que sem graça ele calçava os sapatos. As horas da manhã pareciam passar mais arrastadas que uma lesma. Durante o silencio sepulcral eles se perguntavam para onde teria ido aquele amor, será que voltaria a tempo do almoço?
Uma xícara de café, Pedro não perdera ainda o costume de servir Monica da maneira como ela gostava, mais leite do que café. Ela forçou um sorriso, que lhe costuraram rugas em volta dos olhos baixos. Ela estaria perguntando a si mesma se fizera a escolha certa? Nenhum dos dois ousara quebrar o silêncio, de tanto podia-se ouvir com perfeição cada movimento de vida da janela para fora. E antes que Pedro pudesse tomar um pouco de ar e um pouco de café, Monica levantou-se e foi em direção a varanda ensolarada. Lá estavam os dois, separados, agora por duras e frias paredes de concreto.
Quando o relógio atrasado marcava meio dia e trinta e dois, pode-se ouvir a voz abafada de Monica que vinha do quarto, falava ao telefone. Pedro sentara na frente da televisão e dali não saíra, nem ao menos ligou-a. Em uma de suas mãos frias esquentava um copo de conhaque que refletia seus olhos marejados, sabia que a qualquer momento ela sairia daquele quarto, e enfim sairia daquela casa, e ali não mais retornaria tão cedo. Se ao menos ele tivesse forças para pedir que ficasse. Mas de nada adianta, o amor não obedece, quando ele quer ir, ele vai. E ao sair fecha a porta devagar para não acordar ninguém.
O som do sapato de Monica em direção a porta e a indiferença forçada no olhar de Pedro, dor constante e mutua. Então era isso? O amor ia acabar mais uma vez, machucando, fazendo chorar? Seria o trinco da porta se fechando e mais um ciclo se encerrando? Quantas vezes mais Pedro tomaria conhaque sem pensar em Monica? Quantas manhãs Monica sentaria na cozinha esperando seu café com mais leite do que café? Há quem mais importaria os doze minutos de atraso do relógio de ponteiro na sala do velho apartamento?
As horas se passaram, os dias se passaram, os meses se passaram, os anos se passaram... As vidas se passaram. Monica passou. Pedro passou. O amor continuou passando(passeando). Por aqui, por ali, no mesmo apartamento velho, pela mesma varanda ensolarada, tomando longos e demorados cafés, uns com mais leite, outros com menos, e até mesmo puros.
O amor está sempre indo e vindo de maneiras diferentes, e o relógio de ponteiro continua doze minutos atrasados.
Maya Costa (domingo 22.05.2011)
terça-feira, 19 de abril de 2011
Por Não Estarem Distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
-Clarice Lispector
O Fazedor de Amanhecer
Bernardo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho:
um abridor de amanhecer
um prego que farfalha
um encolhedor de rios – e
um esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada). Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua incompletude?)
-Manoel de Barros
-Manoel de Barros
quarta-feira, 16 de março de 2011
Metáfora Pura
Então, pode acabar.
Como o final de uma longa gravação de um filme.
Destroem-se os cenários, para que nenhuma lembrança reste,
Apagam-se as luzes, e é tudo recolhido com tanta rapidez, com tanta frieza, que quase não se consegue mais lembrar o que ali havia existido.
É como aquele manhã de quarta-feira de cinzas que parece apagar todos os sorrisos e todos os amores do carnaval que passou, tornando lembrança aquilo que no dia anterior foi um momento inesquecível.
Como são especiais as noites em que há o que comemorar.
O sangue parece mais limpo, e o sorriso, mesmo que amarelado, torna-se mais vibrante e aquela dor já nem dói tanto assim.
Os tolos apaixonados se entregam, os casais de longa data se entregam, os amantes efêmeros, esses sim se entregam, os recatados e tímidos, mesmo que sutilmente, se entregam e até mesmo aquela Senhora apoiada na janela, que já não tem mais aquele para se entregar, admira a movimentação passar, e com um leve sorriso e doces lembranças dos seus tempos áureos, se entrega.
E por fim, o que seria da alegria se ela nunca tivesse final? Um eterno vazio, recheado de um sentimento só, a felicidade. Sem tristezas para deixa-la mais bonita, sem lágrimas para enfeitar e sem versos baratos de poesias melancólicas e enfadonhas para desopilar nossos fígados.
E então, posso acabar. Por que um dia... Acaba! Seja mais cedo, ou seja mais tarde. Nada é para sempre. Que bom!
Como o final de uma longa gravação de um filme.
Destroem-se os cenários, para que nenhuma lembrança reste,
Apagam-se as luzes, e é tudo recolhido com tanta rapidez, com tanta frieza, que quase não se consegue mais lembrar o que ali havia existido.
É como aquele manhã de quarta-feira de cinzas que parece apagar todos os sorrisos e todos os amores do carnaval que passou, tornando lembrança aquilo que no dia anterior foi um momento inesquecível.
Como são especiais as noites em que há o que comemorar.
O sangue parece mais limpo, e o sorriso, mesmo que amarelado, torna-se mais vibrante e aquela dor já nem dói tanto assim.
Os tolos apaixonados se entregam, os casais de longa data se entregam, os amantes efêmeros, esses sim se entregam, os recatados e tímidos, mesmo que sutilmente, se entregam e até mesmo aquela Senhora apoiada na janela, que já não tem mais aquele para se entregar, admira a movimentação passar, e com um leve sorriso e doces lembranças dos seus tempos áureos, se entrega.
E por fim, o que seria da alegria se ela nunca tivesse final? Um eterno vazio, recheado de um sentimento só, a felicidade. Sem tristezas para deixa-la mais bonita, sem lágrimas para enfeitar e sem versos baratos de poesias melancólicas e enfadonhas para desopilar nossos fígados.
E então, posso acabar. Por que um dia... Acaba! Seja mais cedo, ou seja mais tarde. Nada é para sempre. Que bom!
Maya Costa
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Minhas Histórias I
Para começo de conversa, ele é um perfeito idiota.
Ele é grosso, mal educado, egocêntrico, sacana, feio e prepotente. Além de tudo, é careca, tem um dente de prata, a voz roca, é magrelo, cheio de tatuagens, bebe e fuma o tempo todo e é velho!
Mas eu nunca vou me esquecer do dia em que o conheci...
Era alguma noite dessas em que reunimos alguns amigos após o trabalho para tomar uma cerveja e fumar uns cigarros. Eu me sentia no estado mais pleno de realização com a minha vida, era como se nada naquele momento pudesse me tirar o foco, me sentia bem! A noite era quente e agradável. E foi como eu sempre que digo que é impossível acontecer, a primeira vista. Pode me chamar de tola por gostar de alguém sem ao menos saber quem é, ou como é. Mas o meu sexto sentido não costuma falhar. E olhei, e gostei, foi isso. Não foi uma paixão, nem um amor a primeira vista, foi só um gostar. Ele se fazia diferente de tudo a sua volta, de todos, até mesmo de mim. O seu dom? Deixar as pessoas o mais sem graça possível. Um completo sacana... Mas acho que eu enxerguei além disso, depois de um certo tempo, claro. Essa noite não passou disso.
Não demora muito e um novo encontro acontece, dessa vez com mais tempo, mais disponibilidade, mais oportunidades. Quando ele chegou, foi como se todos ali tivessem por um momento desaparecido, e eu tivesse novamente 14 anos, sem saber o que falar. Não precisou muito para eu cair de volta na realidade e retomar tudo que tinha anteriormente planejado falar. Porém, a surpresa, ele não era como os outros, ele não era previsível! Sabe aquele tipo de homem que cai em uma frase de efeito bonita jogada com um ar meio sedução intelectual? Pois é, ele não era desses. Como eu disse, seu dom de fazer as pessoas perderem o rebolado era ótimo. Lá estava eu, desarmada, sem frases de efeito, sem saber exatamente onde estava pisando. Foi ai que eu percebi que ele não era do tipo de pessoa que se decifra rápido, e eu gostei disso.
Depois dessa descoberta, o resto foi só perfumaria. Os olhares diziam mais do que qualquer filosofia barata de conquista. Foi com ele que eu aprendi a me calar em alguns momentos. Surgiu então, uma admiração recíproca, um sentimento mútuo, e uma sensação de "Por que ele(a) gosta de mim?", nenhum dos dois ousou sequer um dia perguntar isso em voz alta.
Veja só que ironia do destino, a garota que não queria se envolver emocionalmente com ninguém durante um bom tempo, da noite para o dia está, eu diria, se envolvendo?! Eu acredito que realmente estava, porém de uma maneira sutil e diferente... Vê-lo era quase que confortante. Me sentia segura com a sua presença, mesmo que distante. E quando estávamos juntos me sentia plena, feliz, e não queria saber se isso tinha nome. Ele era um rei, que me fazia sua rainha... O melhor lugar, a melhor bebida, o cigarro da preferência e todo o adorno de qualidades possíveis que ele enxergava em mim. Um vez perguntaram a ele por que eu estava com ele, e ele disse que era porque eu estava pagando os meus pecados. Ele nunca foi romântico, e eu agradeço por isso. Nunca foi preciso, ele sempre foi ideal, da maneira mais estranha possível, mas ideal.
Era incrível como todos me perguntavam como eu tinha coragem de estar com ele. Aquele ser tão escroto, aquela figura tão arrogante, e tudo aquilo que eu citei no começo, e que ele realmente mostrava ser.
Com o tempo eu percebi que só conseguia gostar dele porque não conhecia só essa mascara usada para causar impacto, eu o conhecia mesmo, pelo menos é assim que eu espero pensar sempre. Eu era capaz de enxergar dentro dos seus olhos quando tinha um problema, era capaz de sentir no seu abraço apertado o quanto me queria bem, percebia nos mínimos detalhes a sua preocupação com outras pessoas e acima de tudo a sua paixão por ser A.S.S.A. Era quase que um vício, um amor incondicional, capaz de faze-lo esquecer de si mesmo, matar e morrer por isso. Eu o admirei, e admiro muito, como um grande homem, um amoroso pai e um verdadeiro Abutre. Eu tive a grande chance de presenciar ele defender tudo isso com sua própria vida, e isso me fazia gostar cada vez mais, e acima de tudo respeita-lo. Nunca ninguém vai entender, mas isso não importa, porque eu sei que ele entende.
Eu não vou contar sobre o final, porque não existiu final, nunca vai existir, não enquanto eu puder contar a história da minha vida, enquanto eu respirar e enquanto eu ainda o respeitar...
É só fechar os olhos que eu ainda posso ver, sentir, ouvir. De vez em quando, em noites quentes como a de hoje, eu me lembro dos bons momentos, das boas risadas e as vezes dos silêncios. É como se ele estivesse aqui.
Ele nasceu pra isso. Para cruzar o asfalto de fora à fora. Para deixar em cada canto uma história para alguém contar, seja de tragédia, terror ou até mesmo de amor... Essa que eu contei, foi uma história de momentos felizes. Momentos esses que eu jamais espero esquecer. Que fique claro que ele não tem ponto fixo, nem parada, muito menos dona. Ele é um Abutre, pronto para voar a qualquer instante, e ninguém pode segurar... Mas quem sabe um dia em uma madrugada dessas, um Abutre não ouse pousar no meu telhado, e por lá ficar até amanhecer o dia... Eu contaria essa história também.
Ele é grosso, mal educado, egocêntrico, sacana, feio e prepotente. Além de tudo, é careca, tem um dente de prata, a voz roca, é magrelo, cheio de tatuagens, bebe e fuma o tempo todo e é velho!
Mas eu nunca vou me esquecer do dia em que o conheci...
Era alguma noite dessas em que reunimos alguns amigos após o trabalho para tomar uma cerveja e fumar uns cigarros. Eu me sentia no estado mais pleno de realização com a minha vida, era como se nada naquele momento pudesse me tirar o foco, me sentia bem! A noite era quente e agradável. E foi como eu sempre que digo que é impossível acontecer, a primeira vista. Pode me chamar de tola por gostar de alguém sem ao menos saber quem é, ou como é. Mas o meu sexto sentido não costuma falhar. E olhei, e gostei, foi isso. Não foi uma paixão, nem um amor a primeira vista, foi só um gostar. Ele se fazia diferente de tudo a sua volta, de todos, até mesmo de mim. O seu dom? Deixar as pessoas o mais sem graça possível. Um completo sacana... Mas acho que eu enxerguei além disso, depois de um certo tempo, claro. Essa noite não passou disso.
Não demora muito e um novo encontro acontece, dessa vez com mais tempo, mais disponibilidade, mais oportunidades. Quando ele chegou, foi como se todos ali tivessem por um momento desaparecido, e eu tivesse novamente 14 anos, sem saber o que falar. Não precisou muito para eu cair de volta na realidade e retomar tudo que tinha anteriormente planejado falar. Porém, a surpresa, ele não era como os outros, ele não era previsível! Sabe aquele tipo de homem que cai em uma frase de efeito bonita jogada com um ar meio sedução intelectual? Pois é, ele não era desses. Como eu disse, seu dom de fazer as pessoas perderem o rebolado era ótimo. Lá estava eu, desarmada, sem frases de efeito, sem saber exatamente onde estava pisando. Foi ai que eu percebi que ele não era do tipo de pessoa que se decifra rápido, e eu gostei disso.
Depois dessa descoberta, o resto foi só perfumaria. Os olhares diziam mais do que qualquer filosofia barata de conquista. Foi com ele que eu aprendi a me calar em alguns momentos. Surgiu então, uma admiração recíproca, um sentimento mútuo, e uma sensação de "Por que ele(a) gosta de mim?", nenhum dos dois ousou sequer um dia perguntar isso em voz alta.
Veja só que ironia do destino, a garota que não queria se envolver emocionalmente com ninguém durante um bom tempo, da noite para o dia está, eu diria, se envolvendo?! Eu acredito que realmente estava, porém de uma maneira sutil e diferente... Vê-lo era quase que confortante. Me sentia segura com a sua presença, mesmo que distante. E quando estávamos juntos me sentia plena, feliz, e não queria saber se isso tinha nome. Ele era um rei, que me fazia sua rainha... O melhor lugar, a melhor bebida, o cigarro da preferência e todo o adorno de qualidades possíveis que ele enxergava em mim. Um vez perguntaram a ele por que eu estava com ele, e ele disse que era porque eu estava pagando os meus pecados. Ele nunca foi romântico, e eu agradeço por isso. Nunca foi preciso, ele sempre foi ideal, da maneira mais estranha possível, mas ideal.
Era incrível como todos me perguntavam como eu tinha coragem de estar com ele. Aquele ser tão escroto, aquela figura tão arrogante, e tudo aquilo que eu citei no começo, e que ele realmente mostrava ser.
Com o tempo eu percebi que só conseguia gostar dele porque não conhecia só essa mascara usada para causar impacto, eu o conhecia mesmo, pelo menos é assim que eu espero pensar sempre. Eu era capaz de enxergar dentro dos seus olhos quando tinha um problema, era capaz de sentir no seu abraço apertado o quanto me queria bem, percebia nos mínimos detalhes a sua preocupação com outras pessoas e acima de tudo a sua paixão por ser A.S.S.A. Era quase que um vício, um amor incondicional, capaz de faze-lo esquecer de si mesmo, matar e morrer por isso. Eu o admirei, e admiro muito, como um grande homem, um amoroso pai e um verdadeiro Abutre. Eu tive a grande chance de presenciar ele defender tudo isso com sua própria vida, e isso me fazia gostar cada vez mais, e acima de tudo respeita-lo. Nunca ninguém vai entender, mas isso não importa, porque eu sei que ele entende.
Eu não vou contar sobre o final, porque não existiu final, nunca vai existir, não enquanto eu puder contar a história da minha vida, enquanto eu respirar e enquanto eu ainda o respeitar...
É só fechar os olhos que eu ainda posso ver, sentir, ouvir. De vez em quando, em noites quentes como a de hoje, eu me lembro dos bons momentos, das boas risadas e as vezes dos silêncios. É como se ele estivesse aqui.
Ele nasceu pra isso. Para cruzar o asfalto de fora à fora. Para deixar em cada canto uma história para alguém contar, seja de tragédia, terror ou até mesmo de amor... Essa que eu contei, foi uma história de momentos felizes. Momentos esses que eu jamais espero esquecer. Que fique claro que ele não tem ponto fixo, nem parada, muito menos dona. Ele é um Abutre, pronto para voar a qualquer instante, e ninguém pode segurar... Mas quem sabe um dia em uma madrugada dessas, um Abutre não ouse pousar no meu telhado, e por lá ficar até amanhecer o dia... Eu contaria essa história também.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O bom filho à casa retorna...
É bom estar de volta, mesmo que por pouco tempo, e mesmo que nesse meio tempo eu não possa ver todas as pessoas que tenho e morro de saudade.
Final do ano, clima natalino, cidade nova, amigos novos...
Hoje caminhando por São Paulo me veio a senssação de nunca ter saído daqui, de nunca ter deixado de viver as coisas que eu vivi aqui, de sempre estar em casa.
Não vou agradecer por tudo nem por todos... A virada de ano não muda nada além do calendário, mudanças são constantes...
Saudades? Sentimento bom que eu sinto, foram tantos momentos, tantas risadas, choros e experiências inesquecíveis!!!
É bom estar escrevendo de novo, mesmo sem saber muito bem o que, é bom estar bem, é bom ter vivido 2010!!!
Esse foi um ano de pessoas raras... Raras nos gestos, nos olhares, nas palavras e no simples jeito de ver a vida.
Não quero me prolongar, ainda tenho muito o que matar saudade, existem raros amigos que ainda não reencontrei!
Sem menos.
Maya
Final do ano, clima natalino, cidade nova, amigos novos...
Hoje caminhando por São Paulo me veio a senssação de nunca ter saído daqui, de nunca ter deixado de viver as coisas que eu vivi aqui, de sempre estar em casa.
Não vou agradecer por tudo nem por todos... A virada de ano não muda nada além do calendário, mudanças são constantes...
Saudades? Sentimento bom que eu sinto, foram tantos momentos, tantas risadas, choros e experiências inesquecíveis!!!
É bom estar escrevendo de novo, mesmo sem saber muito bem o que, é bom estar bem, é bom ter vivido 2010!!!
Esse foi um ano de pessoas raras... Raras nos gestos, nos olhares, nas palavras e no simples jeito de ver a vida.
Não quero me prolongar, ainda tenho muito o que matar saudade, existem raros amigos que ainda não reencontrei!
Sem menos.
Maya
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